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30
milhões investidos
Programa "Da Rua para a Escola"
atende 80 mil crianças paranaenses
O programa
"Da Rua para a Escola" vai atender este ano 80 mil crianças
em situação de risco ou de exploração, em
393 municípios do Estado. Ele foi criado para estimular a educação,
assegurar o desenvolvimento de crianças e adolescentes e promover
o bem-estar social da família.
O programa prevê a entrega de uma cesta básica de alimentos
por mês à família que mantiver as crianças
estudando. Desde que começou, no município de Ponta Grossa,
em 1995, o "Da Rua para a Escola" distribuiu 1,3 milhão
de cestas. São beneficiadas todos os meses 23.530 famílias.
A proposta de encaminhar ou manter crianças e adolescentes, de
7 a 18 anos, na sala de aula, é o princípio de um atendimento
que melhora as condições de vida da comunidade. Ao ser cadastrada
no programa, a família recebe orientação, atendimento
e acompanhamento nas diversas áreas de assistência social,
além da educacional.
Todos os familiares são assistidos no campo da saúde física
e mental, com acompanhamento médico e psicológico, e orientados
para que haja harmonia na estrutura doméstica. "Este programa
é fundamental para a comunidade, já que assiste a família
nos aspectos necessários para criar paz e integridade no lar e
dar condições ao bom desenvolvimento do cidadão",
afirma a secretária da Criança e Assuntos da Família,
Fani Lerner.
Depoimentos
O cotidiano da dona-de-casa Eva Mariana dos Santos mudou completamente
desde que a família tomou parte no "Da Rua para a Escola".
Com três filhos para criar, dois dos quais com problemas mentais,
a vida desta moradora de Campo Magro, na Região Metropolitana de
Curitiba, era repleta de discussões domésticas e crises
de alcoolismo.
Por causa da deficiência, os filhos tinham dificuldade para acompanhar
a didática regular de ensino. "Agora está diferente:
a menina escreve o nome e o menino faz até trabalhos de artesanato",
conta a dona-de-casa, que encaminhou os filhos para a escola especial.
Orientado pela assistência social do município, o casal começou
a combater o alcoolismo, que causou depressão em Eva Mariana. "A
melhora se nota pela casa, mais arrumada e limpa, com a cozinha organizada",
afirma a assistente social Malvina Ferreira.
A história da família de Rosana de Borba, de 18 anos, também
é de transformação. Não só psicológica,
mas também econômica. Antes de ser incentivada pelo programa,
Rosana quase não ia à aula. Os pais viviam um constante
desentendimento.
Orientado, o casal restabeleceu a compreensão no lar e estimulou
os filhos a freqüentar a escola. "O foco do trabalho foi o aumento
da auto-estima da mãe, que foi medicada, participa das reuniões
de assistência no município e agora até sorri com
freqüência", diz a assistente Malvina.
Nos próximos meses, a família vai trocar o casebre de madeira
onde mora por uma casa de alvenaria com oito cômodos, resultado
do esforço da ação social em Campo Magro. O município,
de 21 mil habitantes e integrado há quatro anos ao programa "Da
Rua para a Escola", atende a 287 crianças e já distribuiu
quase 3 mil cestas básicas.
"Estamos colhendo bons resultados como a diminuição
da violência e a melhoria das condições de higiene
das famílias, além da integração social",
diz a primeira-dama de Campo Magro, Soeli Menegusso.
Segundo ela, o programa funcionou como uma ponte para solucionar outros
problemas da população.
Investimentos
de R$ 30 milhões
Desde 1995,
foram investidos R$ 30 milhões no programa para garantir o acesso
e a permanência das crianças na escola e reestruturar as
famílias. O "Da Rua para a Escola" foi premiado pelo
Fundo das Nações Unidas para a Infância, em 1996,
e apresentado como exemplo nacional na área em uma Conferência
Mundial de Voluntariado na Holanda, no ano passado.
O programa atua em três campos fundamentais, além do educacional:
resgate da cidadania, assistência social e geração
de renda. O combate à violência passa pelo apoio do Estado
às famílias e pela atenção às crianças.
A prevenção à criminalidade começa dentro
da casa das pessoas e no Paraná se faz isso oferecendo creches
e tirando as crianças das ruas.
Dados positivos
Do total de famílias integradas ao "Da Rua para a Escola",
37% ingressaram no programa com a retirada de crianças da rua;
30% iniciaram com menores que deixaram o trabalho infantil e 25% das famílias
estavam em situação de extrema carência. O restante
é formado por causas diversas.
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