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Um novo olhar sobre
os verdadeiros fariseus

Precursores do Cristianismo e dos primeiros cristãos, fariseus são responsáveis pelas reformas do mundo ocidental


Evaristo de Miranda e José Malca

Substituir a memória mítica em relação aos fariseus pela histórica e real, utilizando para isso ferramentas como literatura vasta produzida pelos próprios fariseus e biografia de alguns deles. Este foi o desafio dos autores Evaristo de Miranda e José Schorr Malca ao escreverem o livro “Sábios Fariseus – Reparar uma Injustiça” (Edições Loyola), que marca um novo paradigma em relação a esse povo, que teve atuação decisiva no destino do Judaísmo e no crescimento do Cristianismo.

Sendo incentivador e colaborador do livro, José Schorr Malca, nascido no Uruguai, filho de rabino e formado em Letras, define o farisianismo como uma paixão na sua vida, pois sempre observou que não se ensina e nem se menciona nada sobre os fariseus em colégios ou universidades. “Os fariseus existiram como uma escola, como sábios, e tenho muito respeito por eles, uma vez que a maioria de nosso pensamento ocidental provém deles”, afirma. Malca atribui aos fariseus todas as reformas do mundo ocidental, como a implantação, há 2,2 mil anos, da escola primária obrigatória, gratuita e universal para meninos, fato que só foi introduzida no século passado pelo Ocidente.

Além disso, foram precursores do Cristianismo. Já os primeiros cristãos, inclusive Jesus e Paulo de Tarso, foram alunos de fariseus, assim como todos os apóstolos. “Este livro me glorifica por ter ido a oportunidade de reparar essa omissão de 1800 anos, que foi apagada por questões políticas do mundo ocidental e da humanidade inteira. Tem uma oração judaica que diz: ‘Bendito seja o senhor Deus do universo que me deixaste viver e me deste a oportunidade de chegar até este dia’. Para mim este é um dia glorioso e acho que podemos nesta pequena semente mostrar o mundo de 300 fariseus que estamos relatando e ter uma geração nova que poderá pesquisar e buscar informações sobre eles na história da humanidade”, orgulha-se Malca.

E foi justamente para levar ao público a idéia de quem realmente foram os fariseus que os autores participaram, em outubro, do VIII Ciclo de Conferências e Debates promovido pelo Instituto Ciência e Fé. Na oportunidade, os autores mostraram a importância do livro no sentido de aproximar judeus e cristãos, uma vez que os fariseus alimentaram essa nova religião, preparando a terra para o crescimento do Cristianismo. “A idéia que temos deles não corresponde à realidade. Muita gente imagina o farisaísmo como sinônimo de hipocrisia, de gente que ostenta externamente muita coisa, quandointernamente é o contrário”, menciona.

Com a necessidade de traçar o perfil correto desse povo, o livro situa o farisaísmo, um movimento religioso com uma marca política muito forte, que durou quase quatro séculos, tendo início dois séculos antes de Cristo. Ele conta também a história dos fariseus, quem foram, em que tempo viveram, o que fizeram e a importância deles para Israel.

“Ao contrário de outras tendências que existiam no Judaísmo e que desapareceram na guerra com Roma, com a destruição do templo, como os saduceus, os templos, os sacerdotes, os autores da lei, os zelotes, o Judaísmo não sucumbiu graças a uma tendência dentro do Judaísmo, que se chamava farisaísmo, que dizia que ‘a verdadeira Israel não estava na terra, mas no coração de cada um. Que o verdadeiro templo não estava em Jerusalém, mas dentro de cada pessoa’. “O Judaísmo que temos hoje é fruto do farisianismo. Quem fez o Judaísmo de hoje é exatamente o Judaísmo que os fariseus construíram a partir desse primeiro século da era cristã. Quando se ofende os fariseus, para o judeu, está ofendendo os pais do Judaísmo atual, como se a gente falasse mal de Paulo, Pedro ou João para um cristão”, alerta Miranda.

Como se não bastasse traçar toda trajetória real e histórica do farisianismo, o livro traz a biografia de aproximadamente cem fariseus, com vidas divertidas, engraçadas, de gente que viveu muitas histórias e muitos relatos interessantes.

“São pessoas da época de Jesus e posterior a Jesus e dá para perceber que muitas das frases que Jesus falava os fariseus já tinham escrito 50 anos antes d´Ele nascer. Dá uma idéia do quanto Jesus cresceu na cultura farisaica, o quanto Ele foi alimentado nessa cultura. Era o Judaísmo do povo, com uma penetração popular muito grande”, define Miranda.

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