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A Injustiça dos Evangelhos

O livro esclarece por que os Evangelhos são tão injustos com os fariseus, fator pelo qual os historiadores concordam que estes não são uma fonte confiável para conhecer o povo.

Segundo os autores, os fariseus dos Evangelhos com nome são pessoas de uma compaixão e uma tolerância extraordinárias, como José de Arimatéia. “Quando Jesus foi crucificado, por exemplo, todos os discípulos se esconderam, sumiram, largaram-no lá. Esse fariseu vai até Pilatos, diz que Jesus é um judeu, tem que ser enterrado no mesmo dia e afirma tacitamente:

‘Começa hoje o Shabat de Páscoa e eu quero o corpo d´Ele para enterrar’. Ele pede a autorização e a obtém. Ele próprio desce Jesus da cruz, sujando-se com o sangue, suor, poeira, sofrendo com a dor comum dos fariseus por ver mais um jovem rabino morto. Compra um lençol, que todos acreditam e veneram – o Sudário –, oferecendo a sepultura da família dele que nunca havia sido usada e que tem um significado e um alcance espiritual muito grande, que nem sempre é destacado. Se Jesus tivesse sido condenado por um tribunal judaico, se pairasse sobre Jesus alguma condenação da lei judaica, como um suicida, por exemplo, como um condenado a morte, Ele teria que ser enterrado fora da cidade. O fato de um fariseu ter oferecido uma sepultura da família, já que do ponto de vista da lei não pairava nenhuma condenação sobre Jesus, é importante”, narra Miranda.



Ao contrário, quando se recorre ao Evangelho, no geral, é cometida uma das maiores injustiças contra os fariseus. Isso explica o contexto em que foram escritos os Evangelhos, tardiamente, quando todas as tendências do Judaísmo já tinham desaparecido e a única que continuava era o farisianismo e era com ela que eles tinham que enfrentar. “Particularmente no Evangelho de Matheus, muito crítico dos fariseus, ele transforma os fariseus em um monte de personagem que nos outros Evangelhos não é fariseu, mas que no deles acaba sendo fariseu. O tempo todo critica os fariseus, particularmente no Matheus 23. A gente entende hoje que Matheus fazia parte de uma comunidade judaico-cristã em declínio, que não convertia mais judeus à seita deles, judaico-cristã, muito pelo contrário, as pessoas voltavam ao Judaísmo. Então é uma emoção ler Matheus, porque dá pena ler alguém que está perdendo uma guerra”, conclui.

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