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Em busca da teologia da libertação sexual


Fundamentado em pesquisas e no confronto com especialistas de várias ciências, livro mantém a tese de que integrar a própria sexualidade é questão vital

Nenhuma realidade parece mais familiar do que a sexualidade, estando presente tanto no cotidiano quanto nos mais diversos gêneros de obras de arte.

Tomando como ponto de partida o enigma da esfinge do Mito de Édipo, inclusive sendo esse o título do livro, frei Antônio Moser, um dos maiores especialistas brasileiros em Pastoral Familiar, procura iluminar esse mistério através de sete chaves, como a chave da intuição contida nos mitos, relatando que na Antiguidade a sexualidade não era propriedade dos seres humanos, mas exclusividade dos deuses. Assim, compreende-se por que os inúmeros mitos que tematizam o amor, a fertilidade, a fidelidade, o ciúmes, o ódio e, assim por diante, projetam essas realidades para o transcendente.

Já outras chaves para desvendar "a esfinge" são a das ciências, a da Teologia, a da Ética, a da experiência da Igreja, a da experiência pastoral e a da surpreendente configuração afetiva das pessoas homossexuais.

Ao longo dos vários capítulos, vai ficando claro que a sexualidade se apresenta, de fato, como uma esfinge, cheia de enigmas. Não somente com relação à homossexualidade, que se apresenta como um verdadeiro desafio ao ser abordada científica, teológica e eticamente no livro.

Doutor em Teologia Moral e professor do Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis (RJ), frei Moser afirma que, no campo teológico, a moral sexual é um dos assuntos menos estudados e talvez por isso esteja tão atrasada. O desejo de promover o diálogo e a reflexão é usado como justificativa para o tom bastante reflexivo do texto de frei Moser.

No seu livro, fundamentado em ampla pesquisa e no confronto com especialistas de várias ciências, bem como no exercício da Pastoral Familiar, o autor mantém a tese central de que integrar a própria sexualidade é questão vital, pois ela é uma das mais poderosas energias humanas, capaz de construir ou destruir os maiores sonhos das pessoas e da própria humanidade.

Citações de outros autores sustentam cada tese do autor. Mais de duzentos nomes compõem a bibliografia do livro. Apesar da preocupação em conciliar diversas linhas de pensamento e, ao mesmo tempo, não soar doutrinário, o autor afirma que a ética deve balizar o comportamento sexual dos indivíduos, a despeito da opção sexual.

"A sexualidade nos coloca diante de desafios que podem levar à vida ou à morte". A morte ou o pecado, explica, acontecem quando o sexo é utilizado como instrumento de exploração, vingança ou humilhação. O frei, que entrou no seminário aos 11 anos, aborda ainda em seu livro as nuances do relacionamento entre homens e mulheres. "Quando se diz que o amor deve ser procriativo, não podemos nos prender a números, mas a um significado. Cada filho é como a esperança de um mundo novo, é a expressão do amor existente, pelo menos em determinados momentos, entre um homem e uma mulher. Quanto à questão do matrimônio, desde o livro de Gênesis já fica claro que, quando um homem ama uma mulher e os dois se unem numa só carne, eles são abençoados pelo próprio criador".

O religioso não vê contradição no fato de um celibatário escrever sobre comportamento sexual. "Temos uma maneira própria de amar, de bem-querer. Vivemos envolvidos numa mística e essa transcendência nos permite enxergar, amplamente, a sexualidade".

O frei também ressalta em um dos capítulos a maior presença da mulher na Igreja, sinais dos novos tempos. Em sintonia com esse suporte oficial da Igreja, percebe-se também que se amplia a reflexão sobre o papel e o lugar da mulher na Igreja. Estas, além de assumirem maior número de funções, vão entrando para cursos superiores, inclusive de Teologia.

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