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É
mais o que nos une...
Rabino Dr.
Simón Moguilevski
Duas tradições
religiosas diferentes podem adotar distintas atitudes, uma em relação
à outra. Podem lutar, perseguir-se, ignorar-se ou tratar de chegar
a um entendimento. Esse último é o mais difícil,
mas certamente o mais necessário. Não faz muitos anos que,
por razões elementares e pela certeza de que ambas religiões
têm algo importante a oferecer aos seres humanos no tocante à
sua relação com Deus e o próximo, a Igreja Católica
Romana e o Judaísmo decidiram empreender diálogo, apesar
de ter havido um desconhecimento mútuo das respectivas liturgias,
ambos credos celebraram festividades religiosas paralelas e existe uma
influência litúrgica e ética por parte do judaísmo
no cristianismo.
Um dos chamados "pré-conceitos" que suscitam imagens
de veemente oposição a Jesus, de duro legalismo e alguma
piedade, é o termo "fariseu", supostamente representativo
de tudo aquilo que Jesus condenou. Isso revela uma ignorância geral
com relação ao Judaísmo da Época do Segundo
Templo, na Igreja. Infelizmente, vários estudiosos bíblicos,
historiadores e vários documentos oficiais católicos começaram
a questionar esse ponto de vista preconceituoso. A Declaração
de 1973, emitida pela Comissão de Relações com os
Judeus do Episcopado da França, tratou desse tema com grande seriedade,
sinalizando que: "a doutrina farisaica não se opõe
à do cristianismo". Também as Orientações
do Vaticano de 1985 sobre as relações católico-judias
mostram o efeito prejudicial da representação negativa do
farisianismo da educação cristã.
O livro "Sábios Fariseus", escrito por um católico
praticante, o professor Evaristo Eduardo de Miranda, a quem sobram títulos
de idoneidade e livros publicados, e pelo licenciado José Manuel
Schorr Malca, intelectual e estudioso do judaísmo e da Cabala,
conjuga de certa forma o que dizia meu mestre e predecessor, o Grande
Rabino da Congregação Israelita da República Argentina,
Dr. Guilhermo Schlesinger Z"L, fundador da Confraternidade Judeo-Cristã
em Buenos Aires: "é mais o que nos une do que o que nos separa,
lamentavelmente sempre se trabalhou sobre o que nos separa".
Devemos congratular-nos com a publicação deste texto e creio
não exagerar ao dizer que deve ser material de consulta para todos
os mestres de religião que queiram compreender ambas e aprofundar-se
na judaica, a fim de transmitir as bases históricas e éticas
do cristianismo em sua verdadeira acepção.
E como diz a Mishná 9 do capítulo 2 do Tratado de
Ética dos Pais (Pirkei Avot): "se muito estudaste não
te vanglories porque para isso nasceste", certamente este livro despertará
o afã de aprofundar mais nos textos sagrados para que possamos
educar uma geração sã, impregnada com o amor ao Criador
e a todos os seres humanos sem distinção de raças,
credos e nem cores.
Rabino Dr.
Simón Moguilevski
Congregação Israelita da República Argentina
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