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As
primeiras comunidades
Pe.
Denílson Aparecido Rossi, imd.
Frente aos
grandes desafios que o novo milênio nos apresenta, é importante
olharmos o exemplo das primeiras comunidades cristãs. O jeito de
viver daquelas comunidades poderá aumentar nossa esperança
e nos dar pistas para enfrentarmos com mais ousadia os atuais desafios.
Seguindo
o livro dos Atos dos Apóstolos, vamos analisar dois textos fundamentais
que revelam o modo de ser e viver das primeiras comunidades: At 2,42-47
e At 4,32-37.
Conforme os textos em referência, podemos perceber as seguintes
características das primeiras comunidades:
- Perseverantes ao ensinamento dos apóstolos: a convivência
com Jesus levou os apóstolos a aprenderem o seu jeito de ser e
viver. Eles aprenderam do coração d´Ele. Assimilaram
suas palavras, seu modo de comunicar-se e relacionar-se com o Pai e com
as pessoas. Aprenderam com Ele a dar preferência aos mais necessitados,
a ser fiel ao projeto do Pai. Os apóstolos ensinavam às
comunidades o que aprenderam da convivência com o Mestre. O bonito
é que as comunidades perseveravam fiéis a estes ensinamentos
(cf. At 2,42) e "com grande energia davam testemunho da ressurreição
do Senhor Jesus (At 4,33).
- Perseverantes à comunhão fraterna: "Todos os que
abraçaram a fé estavam unidos e tudo partilhavam. Vendiam
as suas propriedades e os seus bens para repartir o dinheiro apurado entre
todos, segundo as necessidades de cada um" (At 2,44-45). A perseverança
na comunhão fraterna aumentava a unidade entre os membros da comunidade.
"A multidão dos fiéis tinha uma só alma e um
só coração. Não chamavam de própria
nenhuma de suas posses: ao contrário, tinham tudo em comum"
(At 4,32). Além da unidade, a comunhão fraterna suprimia
as carências da comunidade: "Não havia indigentes entre
eles... A cada um era repartido segundo a sua necessidade" (At 4,34-35).
De fato, a solidariedade era uma prática constante na vida das
primeiras comunidades.
- Perseverantes à fração do pão: "De
comum acordo, iam diariamente ao Templo com assiduidade: partiam o pão
em casa, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração"
(At 2,46). Este texto é um testemunho explícito da partilha
do pão na vida dos primeiros cristãos. A partilha ou "fração
do pão" era realizada nas casas com alegria e simplicidade.
Alegria e simplicidade são características comuns às
pessoas que vivem sua fé com fidelidade. Esta partilha ou "fração
do pão", realizada em casas, constituía-se numa celebração
nova e específica: a Eucaristia. Portanto, é importante
ressaltar que a celebração eucarística na vida das
primeiras comunidades cristãs acontecia nas casas de família
e era uma prática constante.
- Perseverante na oração: a oração é,
também, um elemento fundamental na vida dos primeiros cristãos:
"De comum acordo, iam diariamente ao Templo com assiduidade..."
(At 2,46a). Freqüentar o Templo era uma prática dos fiéis
que buscavam fazer suas orações. Uma das práticas
de oração muito comum e aceita pelo povo era o louvor: "Louvavam
a Deus e eram favoravelmente aceitos por todo o povo" (At 2,47a).
- Atrair outras pessoas: a perseverança no ensinamento dos apóstolos,
na comunhão fraterna, na fração do pão (eucaristia)
e na oração, atraíam outras pessoas para a comunidade:
"E o Senhor ajuntava cada dia à comunidade os que encontravam
salvação" (At 2,47b). Indubitavelmente, o testemunho
comove o coração humano e o arrasta para a conversão.
Um exemplo muito comum é o caso de Barnabé, que, ao ver
a solidariedade e a comunhão de vida entre os primeiros cristãos,
vende o campo que possuía e coloca o dinheiro em comum (cf. At
4,36-37).
Vendo o exemplo das primeiras comunidades é oportuno nos interrogar:
- Nossas comunidades ou grupos são fiéis ao Evangelho e
à doutrina da nossa mãe Igreja?
- Como é a prática da solidariedade e da comunhão
fraterna em nossas comunidades ou grupos?
- Qual é a freqüência com que os cristãos de
hoje buscam participar da eucaristia?
- Como está nossa vida de oração? Somos capazes de
agradecer e louvar a Deus?
- O jeito de ser e viver de nossas comunidades ou grupos está arrastando
outras pessoas?
Pe. Denílson
Aparecido Rossi, imd., é diretor do Instituto Ciência e Fé.
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