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Morre o pai da genética paranaense Cientista,
que estava na UFPR desde 1951,
A Universidade Federal do Paraná decide hoje que homenagem prestará ao professor Newton Freire-Maia, conhecido como o "pai da Genética paranaense". Um dos cientistas mais importantes da história do Paraná, Freire-Maia morreu no sábado, aos 84 anos. O corpo foi velado na capela da Reitoria da Universidade Federal do Paraná e enterrado na tarde de ontem no Cemitério Parque-Iguaçu, em Curitiba. Presidente honorário da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o cientista foi também representante do Brasil na Organização Mundial de Saúde, em Genebra (Suíça), presidente da Sociedade Brasileira de Genética e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, além de ter exercido outras funções (ver quadro). Mineiro de Boa Esperança, nascido em 1918, Freire-Maia morava no Paraná desde 1951, quando aceitou o convite para fundar um departamento de Genética na recém-federalizada Universidade do Paraná. Na época, formado em Odontologia, já havia decidido se dedicar à Biologia e à Genética. O primeiro estudo a colocar seu nome em evidência foi um detalhamento das conseqüências que os casamentos consangüíneos poderiam trazer para a descendência do casal. Freire-Maia trabalhou durante vários anos no assunto e publicou trabalhos pioneiros. Depois, aproveitando seus conhecimentos, passou a dar aconselhamento para casais que, apesar dos laços de parentesco, gostariam de se casar e de ter filhos. Explicava que o risco de as crianças nascerem com problemas de formação era menor do que se imaginava. Freire-Maia também se dedicou ao estudo das displasias ectodérmicas. Durante mais de duas décadas, analisou casos e descreveu as formas da doença, até então pouco explorada pela comunidade científica. A equipe do professor catalogou cerca de 10% das displasias deste tipo que se conhecem hoje. Além de cientista e professor, Freire-Maia foi autor de mais de uma dezena de livros, entre os quais uma autobiografia e um trabalho sobre raças e racismo no Brasil. Também teve atuação política, sendo candidato a deputado uma única vez. Desistiu da vida política, porém, depois do golpe de 1964. Freire-Maia dedicou boa parte de seus últimos anos de vida ao estudo das relações entre ciência e religião. No início da década de 1990, foi um dos fundadores do Instituto Ciência e Fé. A razão científica não o fez descrer de sua fé, desde que foi convertido por um frade franciscano. "Quando menino, fui levado a acreditar que a Bíblia deveria ser interpretada ao pé da letra. O frade me convenceu de que a religião é muito mais livre do que eu pensava", declarou em uma entrevista recente. Para o ex-governador e amigo pessoal Jaime Lerner, que esteve presente ontem ao velório, Freire-Maia construiu um "legado importantíssimo para a ciência e para o Paraná". "Ele foi o o grande impulsionador da genética no Paraná", afirmou. O reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, afirmou ontem que "o Paraná perdeu um grande pesquisador". Freire-Maia, vítima de câncer de pulmão, deixa viúva a professora Eleidi Chautard Freire-Maia, com quem era casado em segundas núpcias. Do primeiro casamento, com Flávia Freire-Maia, nasceram quatro filhos – Regina Flávia, Fátima, Marco e Newton Freire-Maia Júnior, já falecido – e nove netos.
Rogerio Waldrigues Galindo Publicado
na Gazeta do Povo, 12/05/03 |
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